Decidir entre ser médico autônomo ou abrir uma Pessoa Jurídica (PJ) é um dos marcos mais importantes da jornada profissional.
Essa escolha vai muito além de ter ou não um CNPJ; ela define quanto do seu faturamento ficará no seu bolso e quanto será entregue ao Fisco, além de determinar quais portas de hospitais e convênios estarão abertas para você.
Quer saber mais? Leia o nosso artigo.
Índice
ToggleEntendendo as Diferenças de Base
O médico autônomo é aquele que atua no próprio CPF. Ele é um profissional liberal que, perante a lei, assume todos os riscos e lucros diretamente. Já o médico PJ constitui uma empresa para prestar seus serviços. Embora o trabalho médico seja o mesmo, a ‘embalagem jurídica’ muda completamente a forma como o Estado enxerga seus ganhos.
O Peso dos Impostos: Onde a Diferença Dói no Bolso
O maior motivador para a migração para PJ é, sem dúvida, a carga tributária. No Brasil, o sistema é punitivo para quem ganha bem no CPF.
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No Autônomo
Você entra na tabela progressiva do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Se o seu rendimento líquido ultrapassa um valor mensal relativamente baixo (atualmente por volta de R$ 4.664,68), você já cai na alíquota máxima de 27,5%. Além disso, há o INSS de 20% (limitado ao teto) e o ISS municipal.
A única vantagem aqui é o Livro Caixa, onde você pode abater despesas como aluguel do consultório e salários de secretárias.
No PJ
Você tem opções muito mais vantajosas. No Simples Nacional, através de uma estratégia chamada Fator R, é possível tributar a partir de apenas 6% sobre o faturamento bruto.
Se a empresa crescer muito, o Lucro Presumido surge como alternativa, com uma carga que costuma variar entre 13,33% e 16,33%, dependendo do ISS da sua cidade.
Comparativo de Modelos: Qual se adapta ao seu momento?
O Perfil do Médico Autônomo (Pessoa Física)
– Gestão: Baixa burocracia inicial. Você não precisa de contrato social ou junta comercial.
– Ideal para: Recém-formados com faturamento instável ou médicos que possuem custos operacionais altíssimos no consultório que superam 30% do faturamento (para compensar via Livro Caixa).
– Limitação: Dificuldade em fechar contratos com grandes redes hospitalares, que hoje priorizam a contratação via PJ para evitar riscos trabalhistas.
O Perfil do Médico PJ (Empresa)
– Gestão: Exige o acompanhamento de um contador e o pagamento de taxas anuais (alvará, taxas de fiscalização, CRM jurídico).
– Ideal para: Médicos que dão plantões, atendem em clínicas de terceiros ou faturam acima de R$ 6.000,00 mensais.
– Vantagem: Possibilidade de emitir Notas Fiscais, o que passa maior profissionalismo e permite parcerias com convênios e planos de saúde de forma mais ágil.
A Estratégia do Fator R: O ‘Pulo do Gato’
Para muitos médicos, o Simples Nacional parece caro porque a alíquota padrão para medicina é de 15,5% (Anexo V).
No entanto, se o gasto com sua folha de pagamento (incluindo seu Pró-labore) for igual ou superior a 28% do seu faturamento, você é migrado para o Anexo III, onde paga apenas 6%.
Essa manobra legal é a principal ferramenta de economia tributária para médicos PJs no Brasil.
Riscos e Burocracia: O que ninguém te conta
Ser PJ exige disciplina. Você precisará de uma conta bancária empresarial e nunca deve misturar o dinheiro da empresa com as contas da casa.
Além disso, existe a responsabilidade com as obrigações acessórias (declarações que o contador envia ao governo).
Como autônomo, o risco é o esquecimento de algum lançamento no Carnê-Leão, o que é um convite para a malha fina da Receita Federal, que monitora os CPFs de profissionais da saúde com lupas eletrônicas.
Conclusão
A transição de autônomo para PJ não é apenas uma mudança de papel, mas um upgrade na sua maturidade financeira. Enquanto o modelo autônomo pode ser confortável para o início da carreira ou para faturamentos muito baixos, ele se torna uma armadilha tributária à medida que o médico prospera.
Ter uma estrutura de Pessoa Jurídica bem organizada permite que você pague o mínimo de imposto dentro da lei, proteja seu patrimônio pessoal e tenha a liberdade necessária para focar no que realmente importa: a saúde de seus pacientes. Ignorar esse planejamento é, literalmente, trabalhar vários meses do ano apenas para pagar impostos que poderiam ser evitados.
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